segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Palco é lugar de transmitir e não de receber!

O título poderia. "Palco é lugar de dar e não de receber!" mas as brincadeiras referente a conotação sexual seriam inevitáveis! rs
Então, deixo assim.

Receber "energia" do público é efeito colateral positivo não o que se deve buscar!


Você já realizou um show e achou que sua performance foi ruim? Não sentiu a vibração do público?
Isto já aconteceu comigo várias vezes. Pensei: o som está ruim, o público não conhece as músicas tocadas, não estou em um dia bom ou as pessoas estão aqui só para beber e paquerar.
Todos estes argumentos são válidos, entretanto, possuímos controle sobre alguns deles.

Quando você vai tocar, não importa se brigou com a namorada, está com dor de barriga, a casa está vazia ou se houve uma discussão dentro do camarim!
Quando está no palco, tem que transmitir a mensagem musical. A forma etérea de transmiti-la é a interpretação.

Daí vem a pergunta. Como interpretar bem com isto tudo que citei acima?
Ser profissional! Se o público pagou (ou foi lá para te ver 0800 mesmo), merece ter uma apresentação descente. Afinal de contas música é seu trabalho ou hobby?
Quanto a interpretação propriamente dita, é mais complicado.
Sou partidário que deva também ser ensaiada, pois assim, quando você está em um dia com dor de cabeça, aquela mensagem emocional será passada sem conflitos.
Quantas vezes já assisti shows em que a música está animada e o vocalista está com uma cara de mer***! Baita paradoxo!
Não estou dizendo que você tem de ficar com os dentes escancarados o tempo inteiro!
Pondere nisto: esta introdução é melancólica? Este verso é alegre? Este refrão é dançante? Este especial é soturno? Este solo é psicodélico? Como seu corpo, voz e digitação (no instrumento) refletem isto?
Cada qual têm uma maneira de interpretar felicidade. Eu pulo igual a um macaco, ouro abre um sorriso "sincero" (que convença o público de sua sinceridade).

Geralmente a plateia comenta a contradição de interpretação com as seguintes frases: "este cantor é desanimado", "este baixista é apagado", e a famosa "sua banda é ruim mas você toca bem (e suas variantes)!"

Para ser bom intérprete o seu corpo tem que responder ao sentimento musical convencendo assim o espectador/ouvinte.
Quando sua interpretação estiver bem afiada não terá mais que falar "Vamos chegar aqui para frente do palco, galera!" rsrs
Todos estas colocações levam em conta o fato da música estar bem executada e com um arranjo bacana.

Antes que alguns alardeiem: "Mas isso seria fake, temos que passar o sentimento que está rolando na hora!". Pense nisto, artista passa sua arte, não seus problemas pessoais! SAAAAALVO seja uma improvisação, é claro!

Outra questão é  referente ao fato de você não estar se escutando bem. Aí meu amigo, é meter um sorriso no rosto, fingir que não é com você e mandar rock n roll!!
Combine com todo mundo abaixar o volume para que o vocal se escute melhor!

abs!



abs

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Metodologia de trabalho [produção musical]

Olá amantes da música!
Estava bastante sumido, mas foi por um bom motivo. Sou pai de primeira viagem e todo tempo disponível foi focalizado no mais novo soldado do rock!!

Voltando à labuta...

Cada qual têm sua maneira de produzir música.
Alguns intuitivamente (meio às cegas mas chegando a ótimos resultados) e outros (assim como eu) criaram uma metodologia de trabalho.



Vou explicar como gosto de trabalhar. Não é uma fórmula mágica, mas funciona para mim.

Quais são os melhores e mais raros carros, os feitos em série ou os feitos um a um? Ex. O top de linha da Fiat se equipara a um Rolls-Royce?  
É assim que trabalho, uma música de cada vez, até ficar pronta e ensaiada!



Minha metodologia é a seguinte:

Avaliação prévia:


  • No primeiro ensaio, escuto todas as músicas com papel e caneta à mão. Procuro anotar desenfreadamente, escrevendo todas as minhas impressões. 
  • Alguns pontos que focalizo são:
    • Afinação e interpretação do vocalista;
    • Cadência melódica;
    • Dinâmica da música; (intensidade sonora de cada parte)
    • Interpretação no tempo; "sentimentos" que cada parte do arranjo pretende passar tais como tensão, alegria, pulsação, suspense, raiva, psicodelia, indiferença, recompensa, gozo, etc;
    • Harmonia (conflitos harmônicos, competição entre instrumentos);
    • Ritmo. (A levada está transmitindo o que a música propõe?).
  • Isto tudo, procuro anotar enquanto a música está sendo executada, então é bom ficar com estes pontos revisados na mente;
Produção propriamente dita:

  • Em meu home estúdio, gravamos uma base rudimentar com bateria eletrônica (para acompanhamento singelo) e um instrumento harmônico (guitarra por exemplo);
  • Logo em seguida gravo a voz, esta gravação de voz só servirá para fazermos análise da melodia;
  • Uso um programa de modulação de tonalidade para experimentarmos melodias alternativas e/ou para firmarmos a afinação e execução;
  • Depois da melodia, passo para os instrumentos harmônicos, neste momento há que se concentrar na intenção de cada compasso, para que o ouvinte sinta-se interessado em escutar a música até o final. O que analisamos/experimentamos são as mesmas coisas realizadas na avaliação prévia, entretanto, desta vez propomos mudanças/experimentações; 
  • No caso de banda que possua bateria e baixo, serão trabalhados em estúdio, para que a "fundação" fique sólida. O baixo pode, algumas vezes,  ser trabalhado também no home estúdio mas a sua finalização dar-se-á somente junto com a bateria.
  • As mesmas coisas são feiras com os teclados, percussões, ficando por último os naipes de sopro.
É isto, parece pouco? rs A título de exemplo a banda Metálica demorou 6 meses para acertar os grooves de bateria no disco Black Album!

Frisa-se que o tempo que se gasta para produzir uma música depende único e exclusivamente da quantidade de horas que os músicos estudam em casa!!! Quanto mais forem treinados para o estúdio, mas rápido será o dia D, ou melhor o dia R(ecord), rs

Feliz dia R para todos!!!

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Redundância no arranjo musical

Mais um post com opinião pessoal. Aceito críticas e discórdias (fundamentadas, rs), pois é assim que crescemos e aprendemos. :)

A wikipedia preceitua que "das várias definições de redundância contidas em um dicionário aquela que é reconhecida pelo senso comum se refere a excesso, repetição excessiva ou pleonasmo."

Uma informação pode ser passada de várias maneiras. Pela escrita, pela fala, pela música, por expressões corporais e etc.

Na música cantada dispomos da letra, melodia, harmonia, ritmo e interpretação como meio para passarmos determinada informação (ou emoção). Costumeiramente acontece que as informações são passadas de maneira redundante. Para encurtar o texto, pormenorizarei por meio de tópicos:

  • Ritmo que perdura em todos os compassos;
  • letra que se repete;
  • melodia que não muda;
  • harmonia óbvia e;
  • interpretação idêntica. 

Se não houver variação de alguns destes elementos no decorrer do tempo/compassos o que escutando não é uma música inteira mas sim um Loop! rs

Isto acontece com muita frequência! Versos idênticos, refrões gêmeos, melodias clones e arranjos repetitivos.



Claro que na música, um ou mais destes elementos podem não se alterar no decorrer da canção, mas convenhamos, para que escutar um refrão Ctrl C + Ctrl V? Um é absolutamente igual ao primeiro! Não houve mudança nenhuma de interpretação ou quaisquer alterações singelas de alguns dos elementos supracitados!

Se  escutamos o primeiro evento (refrão, verso, solo, etc) e nada se altera, nenhuma nova  informação nos é passada! Mas, se o evento é do estilo "copy-paste", ocorre verdadeira falta de oportunidade de emocionarmos e surpreendermos o ouvinte. 

Alguns irão alardear que o refrão, por exemplo, foi feito assim pois  tal elemento geralmente possui a intenção de fixar uma ideia musical. Concordo com isso, mas acredito que a música perdeu oportunidade de surpreender o ouvinte, pois nenhum mínimo detalhe se alterou.

Aqui está uma frase que repito muito: Se repetição idêntica fosse bom, bastaria escutar o som "harmonioso", "cativante", "sedutor" e repulsivo do metrônomo! rsrsrs


Muitas fezes o engenheiro de áudio da uma "garibada" na mixagem fazendo  distinções de partes para compensar o arranjo repetitivo. Neste momento, o engenheiro de áudio está fazendo papel de produtor e, por muitas vezes, de músico, pois em que pese o fato de não tocar nenhum instrumento, os sequenciam (seja por meio de edições ou por mid).

Finalizando, não é o sonzão que faz uma música ser interessante para os ouvintes é o ARRANJO. Trabalhemos para proporcionar uma experiência auditiva aprimorada! No cozer dos ovos, o que separa a "música arte" da "música para vender", são os detalhes!

inté!

quarta-feira, 5 de maio de 2010

A morte do estúdio profissional de gravação

Olá!

Fiquei sabendo estes dias que o estúdio de gravação A.R. virou uma Pizzaria!
Mesmo sabendo retardatariamente, rs, resolvi escrever este artigo.

Este título é para chamar atenção, não acredito que o estúdio de gravação profissional irá acabar por conta dos home-estúdios e a falta de grana dos músicos independentes (assim como eu), mas os donos de estúdios profissionais têm de tomar algumas precauções para não se tornarem Pizzaria! rs

Já tem algum tempo em que os home-estúdios estão muito bem equipados. Com uma interface descente, um pré bacana, um computador potente e um par de monitores confiáveis, já da para fazer um bom "estrago" no som.

Soma-se o fato de os samplers e sintetizadores estarem cada vez melhores e, os plugins que simulam hardwares serem excelentes os home-estúdios concorrem cada vez mais com os estúdios profissionais.

Junta-se o fato que manter um estúdio profissional é anos-luz mais caro comparado à manutenção de um home. Isto fragiliza ainda mais o estúdio profissional.

Por conta destes motivos o dono de estúdio profissional tem de "pulverizar" sua carteira de clientes e ser bastante empreendedor.


Entretanto, não acredito que os estúdios profissionais irão acabar, aí vão alguns motivos:

  • Ambiente adequado. A experiência de gravação num lugar que foi planejado para aquele fim é infinitamente superior ao se trabalhar num quarto adaptado de seu apartamento.
  • A acústica de um estúdio profissional, em tese, é impecável para o que se propõe. Gravar, mixar e masterizar. 
  • O estúdio profissional possuem equipamentos analógicos que deixam o processador da DAW trabalhar com mais "tranquilidade", evitando assim a ocorrência de falhas de conversão analógico didital.
  • Geralmente em um estúdio profissional há variedade considerável de microfones e periféricos que proporcionam vários tipos de "texturas" sonoras.  
  • A gravação em estúdio profissional está mais acessível (barata).
  • A maioria dos músicos não possuem um home-estúdio e conhecimento de engenharia de audio.
  • O estúdio profissional possui o imprensindível "recurso humano".
  •  

    Por estas e outras, o estúdio profissional, a meu pensar, nunca será substituído pelo homestudio, pois se o home tiver tudo isso que disse acima, será um estúdio profissional dentro de sua casa!
     
    PS - usei os termos "estúdio profissional" e "home-estúdio" só para diferenciá-los, pois hoje faz-se trabalhos profissionais em qualquer lugar. 

    sexta-feira, 23 de abril de 2010

    Boss Arena, a Disney dos pedais BOSS

    Tá bom, eu sei que os pedais BOSS não são true-by-pass, mas sabe de uma coisa? O meu amor por aquelas caixinhas trancende qualquer coisa, rs
    É fã da BOSS, assim como eu? Dê uma olhada nesta Disney para BOSSeiros. rs

    sexta-feira, 16 de abril de 2010

    Tirando aquela frequência chata vc mesmo

    Imagine você mesmo tirando aquela frequência que incomoda no seu instrumento sem afetar as outras e sem depender do técnico de PA para sanar o problema? Você pode fazer isto por meio de um pedal de equalização paramétrica. Eles são bem mais difíceis de se usar comparado a um equalizador gráfico, mas o resultado vale a pena!

    Basicamente o equalizador gráfico altera determinadas faixas de frequências pré estabelecidas pela fábrica que o criou. No paramétrico pode-se alterar determinadas faixas de frequências que você escolher.

    A Boss descontinuou a produção do pedal BOSS PQ-4, acredito pelo fato de ser mais complicado de usar comparado ao gráfico e as vendas não terem sido boas.


    Porém, existe uma macete bastante eficaz para achar a frequência que incomoda, mas antes dele, vamos ver para que servem os botões do equalizador paramétrico.

    Frequencia - Comuta a frequência que deseja alterar;
    BandWidth - determina a largura de banda que se deseja alterar;
    Gain ou level - Diminui ou aumenta as bandas configuradas no bandwidth e frequência.


    Agora o macete! rs

    1. Configure o bandwidth (ou Q) para um valor médio/baixo (0.4);
    2. toque o instrumento;
    3. aumente o ganho consideravelmente (10 dbv);
    4. peça para alguém ir "passeando" com o botão de frequência em todo o espectro sonoro. 
    5. Em algum ponto irá ouvir um som muito feio! Este é o ponto de ressonância que deverá ser cortado;
    6. Agora abaixe o ganho consideravelmente e faça ajustes finos no Q, preservando o som original e tirando toda a ressonância indesejada.

    Com a prática fica muito fácil.

    É isto,

    abs

    quinta-feira, 15 de abril de 2010

    Gravação de instrumentos harmônicos em home studio

    Começo o texto falando que esta é minha opinião pessoal, você têm todo direito de discordar! :)

    Ainda não fizeram a bateria virtual que me convencesse. Acho que soa "tão limpo" e bonito que parece artificial, rs. Mas isto não é impedimento para usa-las!

    A coisa muda um pouco quanto o assunto é a gravação de instrumentos harmônicos. O contrabaixo é o mais feliz da história! Deve ser pelo fato dos melhores sons de contrabaixo serem tirados gravando-se em linha e fazendo microfonação próxima ao amplificador.

    Hoje, para se gravar o baixo é só passa-lo por um pré de qualidade e gravar a faixa. Depois de gravada, duplique-a, escolha um simulador de amplificação e caixa, experimente na música e misture as duas faixas ao seu gosto. Fica lindo! (Estou pensando seriamente nunca mais levar amplificadores para o palco, rs)

    As guitarras também estão bem evoluídas quanto à simulação. Acredito que deve-se pelo fato de já estarmos acostumados com o som nada natural do instrumento. Distorção, delays, fxs não são o timbre original da guitarra.

    Os teclados, na maioria das vezes, são gravados em linha. Use um pré, "espete"  uma simulação de caixa na faixa e vai ter aquele sonzão!

    Muitas empresas de simulação oferecem diversas soluções. Amplifarm, amplitube, vandal, Mellowmuse, Kuassa e Studio Devil e GT3 são alguns dos inúmeros simuladores de amplificação para instrumentos harmônicos.

    Qual usar? Um que não pese na sua DAW e tenha um som satisfatório. No final das contas o que faz a música ser boa ou não é o arranjo e a interpretação. Não o sonzão! Se você tirou um som satisfatório com um simulador que use poucos recursos, fique com ele. Sua DAW irá gravar com mais qualidade. (veja o post sobre jitter).

    Eu estou gostando bastante do Vandal. É leve e trabalha absolutamente por convolução. Todos os efeitos, caixas, amplis foram "sugados" dos originais!

    Gosto de usar um pré valvulado (hardware) antes de processar o sinal. Outra coisa que ainda não me convence é um simulador para pré-amplificador! rs

    Abs